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Quem sabe a diferença exata entre um automóvel antigo e um carro “velho” certamente já provou um pouco do Museu do Automóvel de Brasília. Para os amantes dos VWBoxer, é difícil não ver saltar a pressão às alturas com duas relíquias escavadas pelo curador Roberto Nasser: o VW 181 e o VW Transporter – este último com outro exemplar somente na Alemanha. Os dois automóveis do final da década de 60 não podem ser vistos no Brasil em outro local, que não ali, ao lado do Memorial JK. Estrelas da indústria automotiva na época em que o Brasil enfrentava fortes turbulências econômicas, os VWBoxer reinavam pela facilidade de terem alta durabilidade - mesmo que isso significasse perca de potência. Em tempos de vacas magras, asfaltos sofríveis, óleos e combustíveis horríveis, nenhum automóvel de tecnologia mais moderna conseguiu adaptação tão rápido ao país quanto os com motor refrigerados a ar. Os modelos 181 e Transporter fazem parte dessa tendência, mas não conseguiram o mesmo sucesso do Fusca, Kombi, e Karmann-Ghia, entre outros. O capítulo reservado ao 181 é curioso. Vendido com relativo sucesso nos Estados Unidos e México, onde foi conhecido como The thing (A coisa) e Safári, respectivamente, o jipe aportou no Brasil direto para o quartel do Exército, na década de 70. Ia ser testado como veículo militar pelos homens de farda verde-escura. Acabou perdendo a concorrência por ter apenas tração traseira - além de ter encontrado pela frente o forte lobby da Ford/Willys. Com a perda da concorrência, o exemplar de testes – único a chegar ao Brasil – acabou restaurado e caiu no colo do chefe do Corpo de Bombeiros da fábrica da Volkswagen de Taubaté.
Thing VW181 Foto: Ivaldo Cavalcante/Hoje em Dia Ficaria esquecido, não fosse Nasser ter topado com jipe laranja no jantar de lançamento do Gol, em 1980. “Conversei com o chefe da fábrica e ele me vendeu pelo preço de meio Gurgel. O atual presidente da Volkswagen veio ao museu para um lançamento em meados de outubro e ficou doido com o carro. Há anos procurava pelo modelo, raríssimo especialmente no Brasil”, conta Nasser. A outra relíquia VWBoxer do museu, o Tranporter, é ainda mais raro. Além de Nasser, apenas a fábrica da Volkswagen na Alemanha pode se gabar de ter um modelo em exposição. Aposta da montadora alemã para o terceiro mundo, o automóvel acabou originando vários outros carros, mas o original teve apenas quatro protótipos construídos – dois deles se perderam. O carro não tem estampos, é feito em dobradeira com ferramenta besta manual, não à prensa calha, o que bareteava os custos. “O modelo acabou ficando tão pobre que migrou para outros carros” explica Nasser. Atualmente, o Transporter está sendo reformado pelo colecionador e não está disponível no Museu do Automóvel. Mas deve voltar “para casa” em breve.
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