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Minha Historia com Willber...

Tudo começou em 1969. Naquele ano, meu pai, militar, foi transferido do Rio de Janeiro para Brasília - e ele, que adorava viajar, resolveu ir de carro. Como a estrada Rio-Brasília não tinha muitos postos de gasolina, muito menos mecânicos de plantão, todos os amigos que já tinham feito a 'aventura' recomendavam realizar a viagem de VW “Fusca”, já que o carro era econômico “comparados com os carros da época 10Km\1lt” e, em caso de problema mecânico, poderia ser consertado muito facilmente. Fizemos a viagem num 1967, azul pastel, marcado na minha lembrança até hoje. Ainda menino, percebi que o Fusca era duro na queda, um carrinho valente, maravilhoso! 

Anos depois, logo que a minha filha completou 18 anos, ela me perguntou se eu poderia ensiná-la a dirigir. À época, em casa eu tinha carros modernos, com câmbio automático, onde ela realmente não iria colocar a "mão na massa"... Então, comentei com a um amigo que estava à procura de um carrinho onde minha filha pudesse aprender a dirigir. Ele logo me disse "Lembra do meu Fusca, o Trovão Azul?"

Um parêntese: esse apelido eu mesmo dei para o Besouro, parafraseando a série de época (estrelada por um helicóptero de combate), não porque o Fusca voava, mas sim por ele ter um escapamento Kadron (que à época era muito usado por Pumas e outros VWs esportivos). Esse Fusca fazia tanto barulho que a gente escutava de longe quando ele vinha chegando!

Parêntese fechado. Disse ao meu amigo que lembrava - e muito bem! - do Trovão Azul. O carrinho estava parado há aproximadamente dois anos, debaixo do bloco onde a mãe desse amigo mora. Sem garagem, lá estava o Trovão Azul, jogado ao relento, tomando sol e chuva. "Você não quer ele para você? Eu te dou! Sei que tomará conta dele, e servirá para sua filha aprender a dirigir!"

Assim fui eu, pensando como o Fusca estaria após todo esse tempo parado. Em lá chegando, abri a porta e me deparei com teias de aranha e formigas para todos os lados. Levei um cobertor para cobrir o banco do carro e outro pano para limpá-lo (na medida do possível). Apesar de coberto de poeira e com bicho pra todo lado, dei uma limpadinha "mais ou menos", cobri o banco, me sentei e tentei colocar o VW para funcionar - eu já sabia que ele não ia pegar de primeira, mas não custava nada tentar.

Como não deu certo, acionei o meu seguro (do outro carro) e logo veio o mecânico da seguradora, para me socorrer:
- O que houve, meu senhor ?
- Sabe o que é, eu viajo muito... esse carro ficou parado esses dias, e não quer mais pegar...

O mecânico bateu a chave e condenou imediatamente a bateria. Logo depois, me disse:
- Abre lá atrás, que eu vou aproveitar para ver as velas e o óleo...

Quando ele disse isso, eu gelei! Não tinha pensado nisso! Caramba, o cara vai ver que o óleo já deve ter virado graxa, e as velas, então, devem estar todas enferrujadas!

Assim que o mecânico puxou a vareta, fiquei de olho. O nível do óleo estava baixo, mas com aparência comum, de óleo usado. As velas deram trabalho para sair - foi preciso usar um WD-40 para ajudar - mas também estavam com aspecto normal de uso. Então, ele colocou um carregador rápido, daqueles que dão uma sobrevida à bateria e, assim que deu na chave, saiu um tufo de fumaça branca que mais parecia o Chicabum, do desenho da Penélope Charmosa, hehe! Apesar da fumaceira, o carro pegou - o mecânico até fez um elogio ao Fusca, me perguntando até se eu queria vender, pode? - e ganhei um ânimo a mais para continuar mexendo nele.

Levei o "Trovão Azul" até uma oficina de minha confiança, e lá fiquei o dia inteiro, trocando tudo que tinha direito. Só para vocês terem uma idéia, as lonas de freio, que são feitas de amianto, estavam como se fossem cinza de cigarro! Assim que saí da oficina, fui para casa, fazer uma surpresa para minha filha. Quando ela viu que era um Fusca, logo retrucou: "Eu não vou conseguir dirigir essa carroça!!" Parecia até o Fernando Collor de Mello falando, rs!

Até tentei convencê-la a ficar com o carro, mas foi em vão... e assim lá ficou o pobre Fusca, parado no canto da garagem. Num belo feriadão, estava à toa em casa e me lembrei do Fusquinha; chamei meu filho e perguntei a ele se queria dar uma volta. Ele topou de cara e, depois disso, senti um enorme prazer em dirigir de novo o velho e bom besouro. Comecei a ir ao trabalho com ele, saía com ele pra lá e pra cá, dei-lhe uma bela cera, troquei algumas coisinhas e ele ficou reluzente de novo!

Certo dia, um conhecido dono de uma gráfica em Taguatinga, que prestava serviços para a nossa livraria. Ele perguntou se o Fusca era meu, e me convidou para participar dos encontros. Fui tomando gosto pela coisa e rebatizei meu Fusca, que hoje se chama Willber, um nome mais pomposo para o carro, afinal a idéia era retorná-lo à maior originalidade possível.

Comecei a pesquisar sobre o ano de 1973, e exatamente naquele ano a VW fez várias mudanças: trocou os faróis do modelo "olho de boi" para o redondo reto, os pára-choques tipo "poleirinho" deram lugar ao pára-choque reto, o motor os mesmo 1300 simples como os antepassados, as janelas traseiras em vez de fixa na época as concessionárias ofereciam a opção de abertura (vidros basculantes que vinham no Fuscão 1500) já que o besouro não era muito bom de circulação do ar no interior do carro trocaram por eles e os frisos laterais, cromados.

E assim, uma peça por vez, uma pessoa por vez, o Willber está retornando ao original, e o VW Boxer Clube vai crescendo junto! Como você deve ter lido na matéria de boas-vindas, fazemos algumas festas e viagens juntos. Numa das idas à Pirenópolis (GO), a Cidade dos Fuscas, Willber aprontou uma grande façanha, que até foi publicada na revista especializada Oficina Brasília, na coluna do Celso Ribas, onde ele conta:

"... no mês de outubro de 2007, fomos convidados para participar com nossos respectivos Fuscas, do aniversário de Pirenópolis. Pois é, convite feito e aceito. Agora era partir rodando para um excelente final de semana. Bom, tudo pronto, partem todos nas velozes e maravilhosas máquinas para a tão esperada viagem. Tudo ia às mil maravilhas quando do nada, vemos no espelho retrovisor aquele ponto azul... era o Willber, que se aproximava a uma velocidade acima do normal para os carros do grupo. Devia estar a uns 200 Km/h, no mínimo, pois na sua cola estava um New Beetle preto, indignado de não conseguir passar um tão pacato fusquinha 1300. Acredite, se quiser! Mas, como tudo tem seu preço, após tal façanha o pequeno Willber pifou e teve que voltar para Brasília de guincho. Mas o dono foi conosco..."

Tá pensando que o Willber só tem essa aventura? Essa é apenas a primeira - mas daí são outras histórias, para outro pôr-do-sol...

by Miguel Pinheiro 2007

 
Chico Bento, o fusca da Luciana

Chico Bento.

ChicoBento

Minha paixão por fusca começou quando eu ainda era pequena, talvez uns oito para nove anos. Meu avô, pai do meu pai, nos levava, a mim e meus irmãos, para passear em um fusquinha que, se me lembro bem, era aquele de cor vinho e meio desbotado. Não sei o ano porque não me ligava muito nisso. Eu me lembro que adorava, como toda criança que andava de fusquinha naquela época, entrar no buraquinho lá atrás (aquele compartimento minúsculo para bagagens pequenas).

Recordo-me como se fosse ontem. Meu avô era bem baixinho com aquele cabelinho branco dirigindo aquele fusca. A impressão que eu tinha era que ele fazia um esforço enorme pra enxergar o que havia na frente. Era muito engraçado. Nós íamos passear com ele ouvindo aquelas histórias de quando ele era criança e quando meu pai era criança também. Eram tantas histórias engraçadas.

Pois é, voltando à minha paixão por fusca. Meu avô nos ensinou a dirigir naquele fusquinha, claro que anos mais tarde, talvez tivéssemos uns 14 ou 15 anos.

Tirei minha carteira e comecei a trabalhar. Com meu primeiro salário comprei uma bicicleta, mas tinha como meta comprar um fusca, o que não aconteceu tão logo assim. Só fui ter meu primeiro fusca anos depois, já casada. Era um fusquinha verde cana, ano 74. Quando minha primeira filha nasceu eu a levava pra passear, como meu avô fazia comigo. Mas ela era muito pequena. Um tempo depois esse fusquinha foi roubado. Fiquei muito triste. Depois disso tive outros carros e não queria mais ter fusca com receio que me fosse tirado novamente.

Em 2006 eu tinha um uno branco que foi roubado também. Depois disso resolvi que não teria mais carros caros e que o que tinha a fazer era comprar um fusquinha, que sempre foi minha paixão. Comprei um 78 muito ruim de lataria, mas as rodas e o motor estavam tinindo. Mandei reformar todinho: bancos novos, capotaria e pintura. Pintei na cor Vermelho Cereja Perolado. Ficou lindo. Mas minha alegria durou pouco. Só fiquei com ele três meses e mais uma vez me tiraram minha preciosidade. Acabei comprando outro uno e assim foram passando uns meses. Meu filho fez dezoito anos e meu ex marido tinha acabado de comprar um fusquinha antigo mas não sei a razão. Talvez fosse vender depois. Foi quando fiz a proposta: eu daria meu carro para meu filho e ele me daria o fusca. Isso faz pouco mais de dois anos.

Hoje estou com meu Chico Bento lindíssimo, ano 66 e sou perdidamente apaixonada por ele. Peço todos os dias proteção pra que ele não seja roubado. Instalei mecanismos para que isso não aconteça. Espero ficar com ele por muito tempo ainda.

Chico_Bento